O grupo de ativistas "Anonymous", que nos últimos dias atacou as páginas na internet das empresas de cartões de crédito MasterCard e Visa e a de pagamentos PayPal, ameaçou ontem sabotar o sistema do Judiciário britânico se o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, for extraditado da Grã-Bretanha para a Suécia.
A informação é do jornal O Estado de S. Paulo, 13-12-2010.
Segundo o diário The Sunday Times, os ativistas lançariam um ataque contra o sistema informático do Serviço Público de Processamentos e outros departamentos do governo relacionados com a extradição. "Anonymous" também poderia atacar os sistemas da prisão de Wandsworth em Londres, onde Assange, de 39 anos, está preso, informou o Times.
O fundador do WiKiLeaks, que nas últimas semanas divulgou telegramas confidenciais da diplomacia americana, está em prisão preventiva nesse presídio, acusado de abuso sexual contra duas suecas. Amanhã ele irá ao tribunal de extradição de Londres. Está previsto que os advogados de Assange voltem a pedir a liberdade condicional para seu cliente.
Desde que o WikiLeaks começou a sofrer retaliações de empresas como MasterCard e Visa - que bloquearam seus pagamentos - , o site começou a obter um amplo suporte, que se expandiu a nível global, de hackers que iniciaram uma verdadeira guerra informática em favor do site de Assange. O WikiLeaks também obteve apoio de tradicionais organizações de defesa dos direitos civis, que consideraram a controvérsia sobre os vazamentos como um importante teste do compromisso dos EUA com a liberdade na internet.
Contactado por meio do Twitter, um membro do "Anonymous", que não quis ter seu nome revelado, disse que eles entraram em ação temendo que os direitos civis fossem afetados no futuro. O homem comparou os ataques aos sites das companhias americanas - que ficou conhecido como "hacktivismo" - às anteriores versões de protestos civis: "É parecido com os anos 60, quando você tinha estudantes que invadiam restaurantes e sentavam nas mesas."
O homem disse que o site Reddit tem ajudado o movimento "Anonymous", cujos membros conversam uns com os outros por meio dele ou por servidores difíceis de ser espionados. Não se sabe quantas pessoas se consideram parte do "Anonymous". Vários grupos no Twitter se filiaram à organização, ampliando sua influência: Anonops tem cerca de 10 mil seguidores; a Operação Leakspin tem mais de 1.300 e o Operações Anônimas, 1.200.
O "Anonymous" se defendeu em um comunicado: "Não queremos roubar suas informações pessoais ou números de cartões de crédito. Também não queremos atacar infraestrutura crítica de companhias como Mastercard, Visa, PayPal e Amazon. O ponto da Operation Payback nunca foi atacar a infraestrutura crítica de qualquer das companhias ou organizações afetadas. Em vez disso, nos concentramos em seus sites corporativos. É uma ação simbólica." Os ciberativistas também atacaram na sexta-feira o site do Ministério Público holandês após a prisão de um rapaz de 16 anos, suspeito de envolvimento na série de ataques a organizações consideradas inimigas do WikiLeaks.
ABATE: A internet tornou-se uma fonte de poder popular e vem tornando o poder, antes controlado por alguns grupos constituidores de altos cargos públicos e privados, muito mais difuso. O controle social da própria sociedade, especialmente de instituições públicas, tem ganhado poder com o desenvolvimento da tecnologia da informação, na medida em que força transparência de atividades e informações socialmente relevantes, e permite a circulação rápida e instantânea de informações desse tipo.
Sem dúvida as coisas estão mudando: a internet, com twiiter, orkut, blogs, WikiLeaks e afins, está perturbando o cenário político atual de modo mais intenso, algo que já estava e continua ocorrendo em outros setores sociais, como a economia e a vida diária. Crises? Não diria. Quem fala em crises é quem tem medo das mudanças. As coisas estão simplesmente mudando - e para alguns para pior, principalmente para aqueles que tem algo mal-cheiroso a esconder...
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