Onde os porcos não têm vez...

Com todo respeito aos animais, esse blog vem fazer essa analogia. Aqui fuzilaremos com o verbo a carne vermelha que engordura a democracia em todo lugar.

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Um blog sobre política e direito, direito e política.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um Momento de Tristeza para o Mundo Jurídico

Faleceu Luis Alberto Warat, um jurista raro de se encontrar.

Nós gostaríamos de expressar nosso profundo respeito e admiração por Warat, ao mesmo tempo em que lamentamos essa perda inestimável.

Publicamos então um texto em sua memória escrito por alguém que realmente tinha consideração por Warat.

Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3UucjSW6B-CqsaW4n6mDSZCcvk_hWlbLjkeDclyNAQnFoNmg0oigSMxGDxWki5Qhjm23yyKUHTCFHmnYlPtC_cCuT5ZY2NFM9_Bippk4LK0Tmpjru6G58THCXmUCCLM3OK9cF20gEnreH/s320/Warat.jpg

Hoje (16/12/2010) faleceu um dos grandes gênios do universo jurídico Luis Alberto Warat. A tristeza não fica restrita apenas aos vários setores acadêmicos, entrelaçados de maneira autêntica pelo pensamento criativo do mestre, mas aos amigos, à família e as futuras gerações que só poderão apreciá-lo nos livros. Argentino de origem, Warat construiu um arcabouço teórico para além das fronteiras terrestres e disciplinares, seu pensamento passou a ser visto como um símbolo de mudança, de inovação na intricada esfera do Direito. Do senso comum teórico dos juristas ao projeto do Surrealismo Jurídico, décadas se passaram, cuja dedicação à Academia se fez notável nos mais de 40 livros publicados, artigos e cursos proferidos por todo o Brasil. A proposta Waratiana de uma revolução permanente ao combate do racionalismo jurídico ganhou adeptos em cada canto do mundo. Aliado aos títulos e reconhecimento veio também o amadurecimento das idéias, o Direito antes visto como discurso (ato comunicativo) passou a ser entendido como amor, como alteridade. O diálogo entre o texto jurídico e poético se fez presente nos trabalhos recentes e eventos como Café Filosófico e Cabaret Macunaíma passaram a disseminar as novas reflexões. O sonho de uma Universidade Popular se tornou realidade e a “Casa Warat” passou a representar a esperança de todo um projeto de vida. Um homem de carreira brilhante, de genialidade incontestável, de simplicidade cativante nos deixou. Ficaram seus pensamentos, lembranças e suas propostas de transformação, luta e amor ao conhecimento. Tivemos sorte de conviver com Warat. As saudades são imensas, talvez Fernando Pessoa tenha razão: morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada. Desejo força nesse momento à família Warat.

Rose Dayanne, estudante de direito da Faculdade de Direito do Recife, da UFPE.

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