

Supersaturação Não não e não
Por que tanta proibição?
Quero um mundo melhor
Não um mundo menor
Regras e leis como areia
Muitas somente sujeira
De que adianta isso tudo
De que adianta essa liberdade de sabor amargo
De que adianta isso tudo
Se a sociedade ainda tem um sabor amargo.
Talvez haja juristas tolos que acham que as pessoas costumam não matar as outras por causa do artigo 121, do Código Penal brasileiro, que prevê pena de 6 a 20 anos para quem realizar a empreitada. Talvez existam outros tantos juristas igualmente sábios, doutos de saber técnico, que acreditam que as leis devem ser cumpridas literalmente ou conforme a “vontade do legislador” ou conforme “a vontade da (própria) lei” (vontade da lei?) ou acreditam que as leis são a matriz da ordem social, constituem-na e alteram-na. A esses ignorantes, com todo o respeito em razão da precisão do adjetivo, sugiro a arte de Carlos Drummond de Andrade: “As leis não bastam. Os lírios não nascem das leis”; apenas SUGIRO, recomendo. Não trago argumentos. Trago imaginação, vida, vivências, sonhos, hábitos, idiossincrasias de humanos multi-facetados que aparecem nos romances, na poesia, nos filmes, enfim, na arte. Meus caros doutores, minha sugestão é simples: leiam bastante romance, poesia; desfrutem da arte. Vejam filmes! Filmes variados, não apenas aqueles infantis em que o Bem luta contra o Mal, não apenas aqueles bobos com tiros e explosões. A arte sem dúvida nos ajuda a sermos melhores, humanos melhores, mais conscientes de nós e dos outros, principalmente mais conscientes da miséria alheia e das peculiaridades alheias, assim como do que os outros têm de comum conosco. Kafka, Shakespeare, Dante, Cervantes, só para citar alguns interessantes. Mas escolham como quiserem, desde que tenham uma dieta onívora. Não se fazem bons juristas ou aplicadores do direito decorando leis...

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