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quinta-feira, 5 de maio de 2011

“Estar neutro é tomar partido”, é um ato político, diz Cortella




“Estar neutro é tomar partido”, diz Cortella



Autor do livro Política para não ser idiota, o filósofo Mario Sérgio Cortella explica por que a despolitização é absolutamente política

Por Adriana Delorenzo [05.05.2011 13h34]

CEm grego, idiótes quer dizer aquele que só vive a vida privada, que recusa a política. Embora atualmente a palavra não seja usada popularmente com esse significado, ela inspirou o livro do filósofo e professor da PUC/SP, Mário Sérgio Cortella, e Renato Janine Ribeiro: Política para não ser idiota.

“Se você não faz política, alguém decidirá por você”, afirma Cortella, que ressalta a importância da participação política em todas as esferas, seja no condomínio, no sindicato, na cidade, no país. Ficar neutro, em suas palavras, é estar do lado de quem tem mais força. “É o mesmo que ver um menino de 15 anos brigando com uma criança de 5. Se você não fizer nada, quem vai ganhar?”, compara.

O filósofo explica que a política está presente em todos os momentos. “Todo encontro meu com outra pessoa é um ato político. Afinal de contas se eu existisse sozinho no mundo e no universo, não existiria política, porque não haveria a ideia de comunidade. Mas se eu vivo com outras pessoas, sejam duas, dez, um milhão, 30 milhões, 500 milhões, eu estou tendo em qualquer relação, algo ligado à ideia de poder, de convivência, de relacionamento, e nesta hora a política está vindo à tona”, diz.

Mas o brasileiro, segundo o filósofo, não tem tradição de participar, o que é fruto de 511 anos de exclusão. “A independência não foi um objeto de luta política, assim como a proclamação da República não teve grande participação popular”, destaca. Já a nossa democracia, com 25 anos de história, para ele, é ainda jovem. “O número de vezes em que a população entrou no circuito de participação ativa não foi tão grande dentro da nossa trajetória.” Cortella alerta que essa despolitização é absolutamente política: “Há um enfraquecimento da participação, como se política fosse uma coisa ligada a partidos.”

(...)

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